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O ser, Mulher!

  • Foto do escritor: Black Brazil Art
    Black Brazil Art
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

8 de março — Dia das Mulheres


Há raízes que não aparecem na superfície da terra, mas são elas que sustentam a floresta.

Assim são as mulheres deste país.

O Brasil foi erguido também pelas mãos que quase nunca aparecem nos livros: mãos que plantam, que lavam, que cozinham, que curam, que cuidam, que enterram e que fazem nascer.

Mãos que seguram enxadas, baldes, panelas, cadernos, remos, corpos de crianças e sonhos ainda frágeis.

As mulheres brasileiras são raiz.

Raiz negra que sobreviveu ao açoite e transformou dor em sabedoria.

Raiz indígena que continua ensinando que a terra não é mercadoria, é mãe.

Raiz quilombola que insiste em existir apesar das cercas e dos mapas do poder.


São as mulheres ribeirinhas que conhecem o tempo das águas.

As agricultoras que alimentam o país com a paciência da terra.

As parteiras que entendem o primeiro choro da vida.

As curandeiras que carregam a memória das folhas e das rezas.

São também as trabalhadoras domésticas que sustentam cidades inteiras antes mesmo do sol nascer.

As mulheres da limpeza urbana que devolvem dignidade às ruas.

As trabalhadoras do sexo que enfrentam o peso do estigma para sobreviver.


E são nossas meninas — nossas crianças — sementes que já carregam no corpo o futuro que ainda tentamos imaginar.

Mas mesmo sendo raiz, ainda nos pedem prova de existência.

Ainda nos exigem validação.

Como se nossas histórias precisassem da autorização de quem nunca caminhou nossas trilhas.

Como se nossas vozes dependessem do aval de quem não carrega nossa ancestralidade, nossa memória, nossa pele, nossa luta.

Não precisamos.


Nossa legitimidade nasce daquilo que herdamos: a força das que vieram antes.

Das que resistiram, das que criaram caminhos, das que ensinaram que existir também é um ato político.

Neste Dia das Mulheres, não celebramos apenas.

Lembramos.

Lembramos que ainda faltam espaços, que ainda faltam escutas, que ainda faltam reparações.

Mas também afirmamos: seguimos criando.

Criando arte, criando mundos, criando comunidades, criando futuros.

Porque quando uma mulher negra fala, uma história inteira respira.

Quando uma mulher indígena resiste, um território permanece vivo.Quando uma mulher quilombola planta, o tempo da liberdade continua germinando.

Somos raiz.

E raiz não pede permissão para crescer.

Ela rompe a terra.


E eu sou a mistura viva de todas essas mulheres.

Eu sou Patrícia Brito: mãe, esposa, filha, irmã, tia, amiga. Mas, acima de tudo, sou aquela que provoca, convoca e caminha ao lado de artistas para imaginar e construir futuros mais justos, diversos, inclusivo - fazendo da nossa Bienal Black — um território onde nossas vozes não pedem licença para existir, porque nascem da mesma raiz que insiste, resiste e floresce. 🌿


 
 
 

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