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A Representação do Padrão de Beleza

Feminina na Arte

The representation of the female beauty standard in art \ La représentation du standard de la beauté féminine dans l'art 

Por Mariana Lemmertz  

Brasil

12.10.2020

Tags: Representação; Beleza; Estética; 

Padrões de beleza feminina

Beleza é um conceito abstrato, mas que pode ser fragmentado em três categorias para tornar-se algo mais concreto. Estes campos que sugerem suas versões de o que seria a beleza são a biologia, a matemática e a sociologia.

Biologicamente

O cérebro humano é “programado” para buscar beleza nas coisas. Encontrando o belo na natureza é possível identificar padrões, e há indícios de que foi essa capacidade humana que nos fez evoluir de forma diferente dos demais animais. Por exemplo, no Período Paleolítico, os caçadores faziam as pontas de suas lanças de forma simétrica, o que demandava mais tempo e esforço. Os cientistas e historiadores não encontram outro motivo para isso a não ser que os seres humanos da idade da pedra achassem mais bonitas as lanças assim.

Matematicamente

A beleza que estamos programados biologicamente para perceber e assim encontrar padrões consiste em três conceitos matemáticos: ● Simetria; ● Proporção Áurea (número de ouro); ● Proporção de Fibonacci. Embora o conceito de beleza humana varie de acordo com a época e com a região, esses três conceitos matemáticos sempre se mantém.

 

Socialmente

A ideia de padrão de beleza humana, ou seja, o que um ser humano considera bonito em outro, surgiu quando começaram a se organizar em pequenos grupos sociais. Além dos três princípios matemáticos da beleza, também existem os padrões mutáveis e subjetivos de cada sociedade. Essa categoria no entanto, embora varie dependendo da época e do lugar, não é aleatória: todas as sociedades consideraram belo (direta ou indiretamente) aquilo que remetesse à riqueza e recursos. Por exemplo, em todos os momentos históricos em que conseguir comida era um problema, ser gordo era sinônimo de beleza.

“Uma mulher observa imagens das modelos cujos corpos são diferentes do seu. Essas modelos usam roupas, jóias, sapatos, xampus, celulares e perfumes que ela gostaria de adquirir. A mulher registra não apenas os objetos do desejo em seu inconsciente, mas a imagem das modelos também. A imagem das modelos estimula a busca paranóica pelo padrão inatingível de beleza que expande a ansiedade, que por sua vez é projetada na necessidade de consumir o objeto. Esse processo gera consumismo.” (CURY, 2005, p. 53)

* Texto da artista. 

Título: A representação do padrão de beleza feminina na Arte.

Dimensões: 11 desenhos de 22,5 x 30 cm cada, não emoldurados.

Técnica: Desenho a lápis de cor em papel sobre tecido.

Ano: 2019.

Mariana Lemmertz

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Cursa o terceiro semestre da graduação de bacharelado em Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do SUL (UFRGS). Bolsista de Iniciação Científica PROPESQ - UFRGS, com a pesquisa A ilustração: O Livro Ilustrado no Brasil a partir de 1980, coordenada por Laura Castilhos. Foi bolsista do Programa de Fomento à Extensão PROREXT, na 2° edição da Oficina de Aquarela. Atualmente trabalha ilustrando o livro Segredos de um Bairro, de Markinson Albuquerque e como freelancer. Participou da Bienal Black Brasil Art, com a obra Barbies que a Mattel não faria, sediada em Porto Alegre, de 2019 a 2020.​ RS